segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Turismo ajuda pescadores

Turismo ajuda pescadores

Pesquisa aponta que pescadores da Cachoeira de Emas (foto), em Pirassununga (SP), têm renda acima da média nacional do setor e que parte disso é devido ao turismo (Foto: Leonardo Milano)

Por Fabio Reynol

Agência FAPESP – Os pescadores artesanais da Cachoeira de Emas do rio Mogi Guaçu, na cidade paulista de Pirassununga, contam com uma situação econômica melhor que a de seus colegas brasileiros que trabalham em outras águas.

A conclusão fez parte da tese de doutorado de Janice Peixer, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Peixes Continentais (CEPTA), instituição especializada do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Orientada pelo professor Miguel Petrere Júnior, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) campus Rio Claro, Janice fez sua pesquisa no âmbito do Projeto Temático "Ecologia de Represas", coordenado por Petrere e apoiado pelo CEPTA e pela FAPESP.

A pesquisadora constatou que o pescador de Cachoeira de Emas obtém, em média, US$ 239,64 por mês (cerca de R$ 424) da coleta de peixes, porém sua renda familiar chega à média de US$ 575,52 mensais (cerca de R$ 1.018). "Isso ocorre porque os pescadores mantêm outras atividades comerciais lucrativas", apontou.

Em comparação, os profissionais que pescam na região do alto São Francisco conseguem US$ 384,08 de renda mensal (cerca de R$ 680), e os que vivem da pesca do Lago Paranoá, em Brasília, faturam apenas US$ 156,48 (cerca de R$ 274)  por mês.

Ponto de lazer famoso na região de Pirassununga, a Cachoeira de Emas é um importante destino de turistas que acabam constituindo mais uma fonte de renda para os pescadores. Alguns deles disponibilizam seus barcos para passeios turísticos e trabalham como piloteiros nos fins de semana.

Os turistas também são consumidores da pesca local. "É importante lembrar que não há atravessadores, eles vendem direto ao consumidor, o que aumenta também os seus lucros", ressalta a pesquisadora. O estudo separou os frequentadores do local em quatro categorias: pescadores profissionais, pescadores esportivos, turistas e excursionistas. Esses, diferentemente dos turistas, passam o dia, mas não chegam a pernoitar.

Por outro lado, o trabalho indica que o rio Mogi Guaçu também reflete a decadência da atividade pesqueira ao longo dos anos. A poluição, e principalmente o desmatamento da vegetação ciliar, fez reduzir as populações de peixes do rio e, por consequência, também o número de pescadores.

"O total, que chegou a 300, hoje está reduzido a poucas dezenas, apesar de capturarem uma média de 20 quilos por dia cada um", lamenta Janice, salientando que se trata de produtividade acima da média brasileira.

Para o professor Petrere, estudos como esse são importantes para se conhecer e auxiliar as comunidades de pescadores. "São pessoas que estão pescando para ter o que comer e são ignoradas pelos poderes públicos", disse.

Petrere ressalta ainda que os trabalhos apoiados pelo Projeto Temático FAPESP permitem fazer levantamentos detalhados tanto dos aspectos da fauna dos rios paulistas como de seus principais problemas, incluindo a situação social das populações que dependem deles. 


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