quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Saúde inicia mobilização de estados contra a dengue

Em Pernambuco, primeiro estado a participar da mobilização, o ministro também visitou as obras da Unidade de Pronto-Atendimento de Imbiribeira

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, iniciou em Pernambuco, nesta quarta-feira (04/11), uma série de visitas para mobilização de gestores e profissionais de saúde, além de comunicadores e formadores de opinião, para reforçar as ações de combate à dengue. Durante o mês de novembro, Temporão percorrerá mais de 10 mil quilômetros, passando por nove estados prioritários no enfrentamento da doença.

"Só uma estratégia sustentada, de longo prazo, que envolva o conjunto da sociedade, informe e eduque adequadamente as pessoas, que conscientize o prefeito da importância da limpeza das cidades para o combate do vetor pode trazer resultados positivos em longo prazo para o Brasil", disse o ministro, durante encontro com gestores, em Recife.

Em visita à capital pernambucana, Temporão visitou as obras para construção da Unidade de Pronto-Atendimento 24 Horas de Imbiribeira. Um convênio com a Caixa Econômica Federal prevê a construção de 8 UPAs 24 Horas, o que representa um investimento de R$ 15,6 milhões. Outras 16 unidades serão habilitadas em Pernambuco até 2010 por meio de repasse fundo a fundo. Em todo o Brasil, 160 UPAs já estão habilitadas.

"A UPA 24 Horas apresenta um alto grau de resolutividade, como pode ser comprovado pela experiência do Rio de Janeiro, onde as UPAs conseguem solucionar 99,7% dos casos que recebem. E o mais importante é a integração que estamos conseguindo construir entre iniciativas que levam melhorias ao atendimento à população: Estratégia Saúde da Família, melhorando a atenção básica, o SAMU/192, as UPAs e demais programas funcionando em sintonia e de forma articulada", afirmou o ministro.

MOBILIZAÇÃO CONTRA DENGUE – Além de Pernambuco, o ministro visita Salvador, ainda nesta quarta-feira, além de Fortaleza, na quinta-feira (5). Depois, em datas ainda a serem confirmadas, irá ao Rio de Janeiro, Ceará, Espírito Santo, Minas Gerais, Amazonas, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

O envolvimento direto de Temporão tem um motivo: dar continuidade às ações que permitiram resultados importantes no controle da doença. De acordo com balanço parcial do Ministério da Saúde, os casos de dengue em todo o Brasil caíram 46,3% nas 30 primeiras semanas de 2009 em relação ao mesmo período de 2008 (1º de janeiro a 1º de agosto): foram 406.883 notificações neste ano, contra 758.051 no ano passado

"Isso demonstra que a estratégia está no caminho certo. Este é o momento em que o nosso desafio é qualificar e aperfeiçoar o trabalho que já vem sendo feito", disse Temporão.

O número de casos da doença em Pernambuco caiu 86,1% no mesmo período, passando de 39.162 em 2008 para 5.477 em 2009. O estado é um dos cinco com maior percentual de redução nos casos da doença, juntamente com Paraíba (queda de 89,5%), Sergipe (90,5%), Rio Grande do Norte (93,1%) e Rio de Janeiro (95,9%).

Em Pernambuco, 40 municípios são considerados prioritários, com base em aspectos populacionais e epidemiológicos (lista abaixo). A indicação dos municípios leva em conta os seguintes critérios: capitais de estados e suas regiões metropolitanas, população igual ou superior a 50 mil habitantes e cidades  com maior risco de introdução de novos sorotipos de dengue (como cidades em áreas de fronteiras, portuárias ou polos turísticos).

Para 2009 e 2010, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério investirá no controle da dengue em Pernambuco R$ 39,3 milhões e R$ 40 milhões, respectivamente. No ano passado, foram R$ 38,5 milhões. Os recursos incluem os repasses do Teto Financeiro de Vigilância em Saúde (TFVS), usado no combate de diversas doenças, com priorização para dengue; e o envio de inseticidas, larvicidas, veículos e equipamentos para fumacê. Não estão incluídos nesses valores os repasses para assistência.

 

TENDÊNCIA NACIONAL – O novo balanço parcial divulgado pelo Ministério, no último dia 29 de outubro, juntamente com a Campanha Nacional de Combate à Dengue 2009/2010, confirma a tendência de queda nacional nas notificações verificada nas avaliações anteriores. A redução foi observada em 20 estados e no Distrito Federal. Os estados do Acre, Amapá, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso apresentaram aumento no número de casos.

 

CASOS GRAVES – Em todo o país, os casos graves de dengue caíram 79,2% e passaram de 20.579 nas 30 primeiras semanas de 2008 para 4.281 no mesmo período de 2009. Esses casos correspondem à soma dos registros de Dengue com Complicações (DCC) e Febre Hemorrágica de Dengue (FHD).

Em Pernambuco, foram registrados três casos de dengue hemorrágica neste período de 2009, contra 93 em todo ano de 2008. Não houve registro de DCC no estado este ano, enquanto que em todo ano passado foram 218. Os casos de DCC correspondem às pessoas que tiveram complicações decorrentes da dengue, mas que não chegaram a ter um quadro classificado como dengue hemorrágica.

 

ÓBITOS – O balanço parcial também revela uma redução de 63,2% nas mortes em decorrência da dengue, em todo o país. De acordo com dados enviados até 1º de agosto, houve 166 óbitos neste ano, sendo 103 por FHD e 63 por DCC. No mesmo período do ano passado, foram registradas 451 mortes (213 por FHD e 238 por DCC).

Destaca-se que Pernambuco foi um dos seis estados que não registraram óbitos por dengue em 2009, até 1º de agosto, mesmo com registro de casos graves. Os outros estados são Amapá, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Norte e Paraná. Em 2008, Pernambuco registrou 14 mortes por dengue (11 por FHD e 3 por DCC).

 

 

 

Dengue em Pernambuco

 

2008¹

2009²

Casos gerais

39.162

5.477

Casos de FHD

93

3

Casos de DCC

218

0

Óbitos por FHD

11

0

Óbitos por DCC

3

0

 

¹ Dados do ano inteiro

² 1º/janeiro a 1º/agosto

 

 

NÚMERO DE CASOS DE DENGUE – BRASIL

UF

2008

2009

Norte

69.099

       49.427

RO

        7.692

        6.823

AC

        2.141

       18.106

AM

       10.291

        1.886

RR

        5.632

        4.388

PA

       22.394

        9.145

AP

        1.498

        2.635

TO

       19.451

        6.444

Nordeste

     250.311

     136.713

MA

        5.774

        1.914

PI

        4.885

        4.360

CE

       64.355

       12.250

RN

       42.512

        2.973

PB

        8.349

           884

PE

       39.162

        5.477

AL

       17.564

        3.904

SE

       34.169

        3.275

BA

       33.541

     101.676

Sudeste

     362.114

     136.768

MG

       71.610

       69.720

ES

       33.403

       50.482

RJ

     250.220

       10.365

SP(1)

        6.881

        6.201

Sul

       16.239

        8.164

PR

       14.862

        7.732

SC(2)

           655

           209

RS(2)

           722

           223

Centro Oeste

       60.288

       75.811

MS

        4.065

       12.441

MT

       10.504

       35.501

GO

       42.696

       26.531

DF

        3.023

        1.338

Total

     758.051

     406.883

Fonte: SVS/SES
* Dados até a semana epidemiológica 30, sujeitos a alteração
¹ Registro apenas de casos confirmados laboratorialmente
² Não há registro de casos autóctones, apenas de casos importados

Municípios prioritários em Pernambuco: Abreu e Lima, Afogados da Ingazeira, Araçoiaba, Araripina, Arcoverde, Belo Jardim, Bezerros, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Carpina, Caruaru, Escada, Floresta, Garanhuns, Goiana, Gravatá, Igarassu, Ipojuca, Itamaracá, Itapissuma, Jaboatão dos Guararapes, Limoeiro, Moreno, Olinda, Ouricuri, Palmares, Paudalho, Paulista, Pesqueira, Petrolina, Recife, Salgueiro, Santa Cruz do Capibaribe, São José da Coroa Grande, São Lourenço da Mata, Serra Talhada, Tamandaré, Timbaúba, Toritama e Vitória de Santo Antão.

 

CAMPANHA – Com o mote "Brasil Unido contra a Dengue", a campanha lançada no último dia 29 de outubro dá continuidade às ações de prevenção e enfrentamento da doença realizadas no país, desde o ano passado. Isso porque, apesar dos dados positivos, as ações de prevenção e combate à dengue devem ser mantidas durante os períodos de baixa transmissão e reforçadas nas épocas de pico, para que o número de casos e óbitos não volte a aumentar. Serão veiculados quatro filmes de TV e cinco spots para incentivar a mobilização social, o combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti e os sintomas da doença.

 

AÇÕES 2009/2010O combate e a prevenção à dengue estão entre as prioridades dos governos federal, estados e municípios. Estão mantidos os recursos investidos nas ações de 2008/2009, incluindo a incorporação de R$ 128 milhões ao Teto Financeiro de Vigilância em Saúde. Para 2009, o Teto Financeiro para todo o país será de R$ 1,02 bilhão. Além do Teto, houve investimento de R$ 55 milhões em compras diretas do Ministério da Saúde até outubro deste ano especificamente para combater a dengue, com ações como campanha publicitária, treinamento e capacitação, equipamentos e insumos, entre outras atividades.

O Ministério da Saúde tem estoque estratégico de medicamentos, inseticidas e equipamentos para combater a doença no Brasil. São 2,77 milhões de unidades de paracetamol (gotas e comprimidos), 2,03 milhões de frascos de soro fisiológico injetável e 562,7 mil envelopes de sais de reidratação oral que serão utilizados em situações epidêmicas. Essa medicação é essencial para a atenção ao paciente e será utilizada em situações epidêmicas em apoio aos estados e municípios.

Outros 250 mil litros de inseticidas e 3,5 toneladas de larvicidas serão distribuídos ao longo das ações de controle vetorial. Também há 6,5 mil kits de diagnósticos, suficientes para a realização de 170 mil exames. Além disso, em caso de necessidade, o Ministério da Saúde poderá colocar à disposição uma reserva estratégica de 77 nebulizadores costais motorizados e 142 equipamentos de fumacê.

 

OUTRAS AÇÕES – Nos próximos meses, o Ministério implantará a notificação online de casos e mortes pela doença e divulgará os resultados nacionais do Levantamento Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) em 169 municípios. Além disso, haverá supervisão do uso do teste rápido para detecção do sorotipo viral da dengue nos estados da BA, ES, GO, MS, PB, PE, RJ e SE. Em outros oito estados, já houve supervisão do uso do teste: CE, RO, RR, AC, AP, SP, PR e MG.

 

DIRETRIZES NACIONAIS – Em julho de 2009, o Ministério, em conjunto com o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (CONASS) e Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (CONASEMS), lançou as Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue, um documento inédito elaborado em parceria com estados e municípios para unificar as ações de vigilância e assistência em saúde em todo o país. A proposta é manter gestores em alerta durante todo o ano e organizar as atividades de prevenção e controle, em períodos de baixa transmissão ou em situações epidêmicas, para evitar surtos e reduzir o número de casos e mortes.

 

Agência Saúde




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Pós-doutorado em nutrição de aves com Bolsa FAPESP

4/11/2009
Agência FAPESP – O Departamento de Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Jaboticabal, tem uma vaga em aberto para Pós-Doutorado com Bolsa FAPESP.
Podem se candidatar doutores com titulação na área de zootecnia ou medicina veterinária, que tenham experiência em nutrição de aves, mais especificamente em exigências nutricionais e modelagem.
A oportunidade está vinculada ao Projeto Temático “Modelos para estimar as exigências de lisina, metionina+cistina e treonina para aves de corte e postura”, apoiado pela Fundação.
Entre as tarefas previstas para o selecionado estão:
  • Desenvolver um projeto relacionado ao Projeto Temático;
  • Realizar estágios de pesquisa no exterior, junto à instituição dos pesquisadores colaboradores, visando ao aprendizado sobre as técnicas e programas computacionais que serão utilizados no projeto;
  • Auxiliar no desenvolvimento de novas metodologias que serão padronizadas durante os ensaios experimentais; e
  • Acompanhar atividades relacionadas ao projeto, contribuindo para o desenvolvimento e andamento adequado dos estudos realizados.
A bolsa terá duração de dois anos e os interessados deverão se candidatar até 15 de novembro de 2009.
Os documentos necessários são curriculum vitae atualizado, resumo da tese de doutorado e duas referências, todos anexados, por e-mail, à coordenadora do Projeto Temático, professora Nilva Kazue Sakomura (sakomura@fcav.unesp.br). Dúvidas ou esclarecimentos sobre a oportunidade com a coordenadora.
A vaga está aberta a brasileiros e estrangeiros. O valor da Bolsa de Pós-Doutorado da FAPESP é de R$ 4.508,10 mensais.
Outras vagas de bolsas de pós-doutorado, em diversas áreas do conhecimento, estão no site FAPESP-Oportunidades, em www.oportunidades.fapesp.br.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Criado GT para fomento de produtos da biodiversidade

Grupo de trabalho criado no âmbito do Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Prudutos da Sociobiodiversidade vai apresentar propostas para agregar valor e promover a exploração sustentável da natureza. O grupo reúne representantes do governo federal, da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia) e empresas associadas à entidade. O principal objetivo do grupo é apontar para o governo os gargalos que possam dificultar o desenvolvimento da cadeia.

O diretor de Geração de Renda e Agregação de Valor da Secretaria de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (SAF/MDA), Arnoldo de Campos, reiterou a importância da aproximação com as indústrias de alimentos. "Estamos abertos ao diálogo. Queremos acessar mercados diferenciados, e um dos que mais têm potencial é o setor de alimentos", disse.

O diretor executivo da ABIA, Mário Martins, alertou para as exigências de qualidade e preço: "somos o elo de compra desses insumos. Se não existir qualidade e preço a indústria não compra e o investimento do governo junto às famílias extrativistas e cooperativas fica sem sentido".

Para a diretora de Extrativismo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Cláudia Calórico, será importante estreitar a relação com a iniciativa privada. "Queremos construir uma estratégia de aproximação com a indústria de alimentos e garantir vantagens para ambas as partes".

O gerente de Marketing e Vendas da indústria Beraca, Cassino Braccialli, destacou a dificuldade das pessoas enxergarem o valor e o benefício que produtos com ingredientes da biodiversidade brasileira trazem para as comunidades envolvidas. "Este é o desafio da indústria: mudar a visão dos consumidores".

O Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade é coordenado conjuntamente pelos ministérios do Desenvolvimento Agrário (MDA), do Meio Ambiente (MMA) e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

MDA/Incra

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Inscrições para o Prêmio Chico Mendes encerram no dia 10 de novembro

Pessoas, instituições e organizações sociais que desenvolvem trabalhos voltados para a conservação dos recursos naturais da Amazônia têm até o dia 10 de novembro para se inscrever na oitava edição do Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas, obrigatoriamente, por meio de Sedex para o Prêmio Chico Mendes de Meio Ambiente, Caixa Postal 10805, CEP: 70306.970 - Brasília-DF. Os trabalhos podem ser inscritos nas categorias liderança individual; organização da sociedade civil; negócios sustentáveis; educação ambiental; município; e saúde e meio ambiente.

O julgamento das propostas será feito nos dias 19 e 20 de novembro. A comissão julgadora levará em consideração critérios de efetividade, impacto social e ambiental, potencial de difusão, originalidade, adesão e participação social. À exceção da categoria município, cujo primeiro colocado não receberá premiação pecuniária, mas somente diploma honorífico, as demais categorias serão contempladas com diploma e R$ 28 mil em espécie, valor sobre o qual serão cobrados todos os tributos previstos em lei. A premiação será em dezembro, em Brasília, com a presença do ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc.

Prêmio - Atualmente coordenado pelo Departamento de Articulação de Ações da Amazônia (DAAM), vinculado à Secretaria-Executiva do MMA, o prêmio vem ganhando adesão de um público cada vez maior. No ano passado recebeu 101inscrições, praticamente o dobro dos 53 inscritos na primeira edição.

Figuram entre os contemplados o Instituto Sócio-Ambiental (ISA), Instituto Internacional de Educação Ambiental (IEB), Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Universidade Federal do Acre, o pesquisador Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a atual senadora e ex-ministra de Meio Ambiente Marina Silva, dentre outros.

A iniciativa tem sido um incentivo aos trabalhos desenvolvidos por pequenas organizações de extrativistas, indígenas e agricultores familiares comprometidas com a preservação do meio ambiente na Amazônia.

Dentre essas organizações foram contempladas a Associação de Moradores e Produtores do Projeto de Assentamento Chico Mendes (AC), Associação Indígena Vyty-Caty (MA), Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Lucas do Rio Verde (MT), dentre outras.

Mais informações sobre o prêmio podem ser obtidas no www.mma.gov.br, pelos telefones (61) 3105- 2078/3105 2093, ou pelo e-mail: premiochicomendes@mma.gov.br.

Ascom MMA

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Futebol na periferia paulistana também se aprende nos games

Por Antonio Carlos Quinto
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Pesquisador acompanhou cotidiano de escolas de futebol ligadas a projetos sociais

Nas periferias de São Paulo, a prática e o aprendizado do futebol não se dá somente nos campos, mas também nos video games do jogo disponíveis em lan houses. "Além do que praticam e aprendem nas chamadas escolinhas de futebol, é comum nestes locais vermos garotos jogando futebol em vídeo game. E eles acabam levando algum aprendizado do jogo eletrônico, como esquemas táticos e posicionamentos, para a prática, no campo de jogo", afirma o cientista social Enrico Spaggiari. Desde o início de 2007, o pesquisador acompanhou o cotidiano de professores e jovens que participam de escolas de futebol ligadas a projetos sociais em Itaquera, Guaianases e Cidade Líder, bairros da Zona Leste da cidade.

Pela linguagem dos jovens durante as atividades nas escolas de futebol, foi possível perceber que muitos traziam informações dos games. Mas o acesso aos jogos eletrônicos não foi o único aspecto observado pelo pesquisador. Em seu estudo de mestrado Tem que ter categoria: construção do saber futebolístico, defendido no Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, sob orientação do professor Heitor Frúgoli Jr., Spaggiari manteve contato com jovens e professores das escolas de futebol para conhecer o processo de ensino e aprendizagem de futebol. "Acompanhei também o cotidiano desses garotos e percebi que a atividade futebol não se esgota nos treinamentos das 'escolinhas'. Além dos games, há o futebol de rua, o que é praticado na escola formal e em quadras. Existem cada vez menos campos de várzea na cidade", descreve.

A ausência cada vez maior dos campos de várzea pode ser uma explicação, segundo o pesquisador para a proliferação das escolas de futebol na cidade nos últimos 20 anos. Ele lembra que há muitas "escolas oficiais", franqueadas de clubes profissionais. "As escolas observadas, que oferecem a atividade gratuitamente, seguem o modelo de funcionamento das franqueadas", observa Spaggiari.

Saber pedagógico
Na maioria das escolas de futebol, as atividades são coordenadas pela comunidade e as aulas ficam por conta de ex-jogadores de futebol profissional. "Em alguns casos observamos a presença de professores de Educação Física atuando de forma voluntária", conta o cientista. Nas duas modalidades, segundo Spaggiari, foram observadas dificuldades no diálogo com as crianças e jovens. "Enquanto os ex-jogadores não possuem um 'saber pedagógico' suficiente para ir além do simples ensinamento, alguns professores não conseguem conquistar a plena confiança dos alunos. Muitos ex-jogadores foram ídolos dos pais dos alunos e isso proporciona credibilidade", destaca, lembrando que este fato chega a ser um dos atrativos para reunir as crianças.

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Além dos treinamentos na semana, crianças praticam o esporte nas ruas e quadras

A vida cotidiana destes jovens, de acordo com o cientista social, muitas vezes acaba precocemente com o sonho de uma profissionalização. Devido às suas condições sociais, muitos necessitam de trabalho. Além disso, as exigências dos clubes para que um garoto venha a se tornar um profissional são cada vez mais rígidas. "Foi-se o tempo em que um jovem com 18 ou até 20 anos poderia ser aproveitado por uma equipe. As escolhas acontecem cada vez mais cedo. A justificativa dos clubes é a de que quanto mais novo, menos vícios se tem no jeito de jogar futebol", explica Spaggiari.

Presença do Estado
Apesar de as iniciativas serem de parte do Estado ou da Prefeitura Municipal, Spaggiari alerta que a presença mais efetiva dos órgãos governamentais poderia ser muito positiva. Os representantes dos governos fornecem os materiais, enquanto a administração fica por conta das comunidades. "Isso abre espaço para pessoas que as vezes vendem falsos sonhos aos jovens, de profissionalização e de um futuro no futebol. Pude perceber que por vezes se considera a estrutura mais importante do que quem realmente é atendido, ou seja, a criança e o jovem", diz. Embora reconheça a importância de uma presença mais marcante de representantes governamentais, o pesquisador acredita que o futebol ainda está distante de ser um elemento capaz de superar a exclusão social.

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Cotidiano muitas vezes encerra precocemente sonho de profissionalização

É o caso de um discurso predominante de "tirar a criança da rua" como sendo um dos benefícios da atividade. No entanto, o que Spaggiari observou na prática é que os jovens acabam optando mesmo é por ficar menos tempo em suas casas. "Em muitos casos, os discursos dos garotos apontaram que o ficar em casa significava mais trabalho. Daí a opção pelo game na lan house e pela escola de futebol. Para boa parte dos pais, a escola de futebol significa que o jovem estará ocupado enquanto eles estiverem trabalhando, ausente de seus lares", relata o pesquisador. A formação da criança na periferia, segundo o cientista social, acaba sendo determinada pela rotina trabalho, escola e futebol. "É futebol o tempo todo, a semana inteira. Além dos treinamentos em quase todos os dias da semana, essas crianças ainda praticam o esporte nas ruas e quadras", reforça Spaggiari.

*Imagens cedidas pelo pesquisador


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