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sábado, 31 de janeiro de 2015

Acupuntura no SUS sofre com falta de oferta e documentação

Pesquisa realizada na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP analisou a implantação da acupuntura no SUS e detectou que, apesar dos avanços, a falta de oferta do serviço ainda é um problema.  “Isso pode comprometer a consolidação e ampliação da acupuntura nos serviços públicos, como na atenção básica”, alerta a pesquisadora e acupunturista Leandra Sousa.

Implantação da acupuntura no SUS, apesar dos avanços, ainda é um problema | Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Os resultados são frutos de análises dos documentos, de 2001 a 2011, do Departamento Regional de Saúde XIII (DRS) do Estado de São Paulo — região de Ribeirão Preto, atrelados a entrevistas com gestores da área da saúde. “A acupuntura foi inserida há nove anos no SUS e, apesar do tempo, existem poucos documentos relacionados à prática”, conta Leandra.

“Dos 26 municípios estudados, apenas sete (26,9%) apresentaram algum registro referente à acupuntura. Desses, somente dois oferecem atendimento pelo SUS”, relata a acupunturista.

Segundo a pesquisa, a prática não é prioridade na agenda política dos gestores do DRS estudado. “Durante as entrevistas, foi detectado que há uma abertura para a implantação, porém interesses coorporativos e financeiros esbarram na questão.”

Outro resultado obtido durante a análise diz respeito à quantidade de registros sobre a oferta do serviço. Leandra observou que, “ao todo, foram 84,4% de documentos sem nenhum registro sobre a oferta da acupuntura”.

Para a pesquisadora, o baixo índice de registros significa que os instrumentos de gestão ainda são utilizados de modo equivocado. “É possível que determinado município oferte acupuntura nos serviços do SUS, mas não tenha registros dessa oferta e vice versa.”

A pesquisa revelou também que boa parte da população não sabe que a acupuntura é fornecida pelo SUS. “As pessoas desconhecem que o governo disponibiliza essa prática nos serviços do Sistema Único de Saúde.”

Documentos como Planos Municipais de Saúde, Relatórios Anuais de Gestão e as bases do Sistema de Informação do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) foram a base para a análise do atual cenário da acupuntura na região. “As ações de saúde contidas nesses documentos expressam o compromisso político assumido pelos gestores no desenvolvimento das ações de saúde dos serviços.”

Segundo Leandra, a acupuntura tem reconhecimento internacional como uma forma de prevenção de doenças e promoção de saúde. A prática também reduz gastos com remédios e tratamentos, o que tem levado “os centros de pesquisas a incentivarem estudos que comprovem, no Brasil, que a acupuntura representa uma forma de redução de gastos com saúde”.

A tese Acupuntura no SUS – realidade e perspectivas, orientada pelos professores Maria José Bistafa Pereira, da EERP e Nelson Filice de Barros, da UNICAMP, foi defendida no segundo semestre de 2014.

Por Marcela Baggini | Comunicação Social /Prefeitura do Campus de RP USP

Consumo de castanha-do-brasil pode melhorar função cognitiva

Pesquisa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP mostrou que o consumo diário de uma castanha-do-brasil, conhecida por castanha-do-pará, recuperou a deficiência de selênio e ainda teve efeitos positivos sobre as funções cognitivas de idosos com comprometimento cognitivo leve (CCL), considerado um estágio intermediário entre o envelhecimento normal e demências, como a Doença de Alzheimer.

Uma castanha por dia foi suficiente para recuperar a deficiência em selênio | Foto: Adriana Figueiredo da Silva

A nutricionista Bárbara Cardoso explica que o CCL é caracterizado pela perda cognitiva (processo que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento, linguagem) maior do que o esperado para a idade. “Pessoas com comprometimento cognitivo leve têm mais risco de desenvolver Alzheimer”, diz a pesquisadora e autora da tese de doutorado Efeito do consumo de castanha-do-brasil (Bertholetia excelsa H.B.K) sobre o estresse oxidativo em pacientes com comprometimento cognitivo leve e a relação com variações em genes de selenoproteínas.

Entre as análises feitas pela nutricionista está a associação entre os níveis de selênio e o estresse oxidativo (excesso de radicais livres em comparação com o sistema protetor de cada célula) em pessoas com CCL.

Bárbara explica que o estresse oxidativo está envolvido no declínio cognitivo. Pacientes com comprometimento cognitivo leve ou Doença de Alzheimer apresentam maiores níveis de estresse oxidativo.

“Com o avanço da idade, os neurônios apresentam maior ineficiência no processo de produção de energia, com o aumento da geração de radicais livres. Já a capacidade do sistema antioxidante, que combate esses radicais, tende a reduzir. Esse descompasso contribui para o comprometimento cognitivo leve porque os radicais livres acabam afetando o sistema motor, sensorial, a memória e o aprendizado”, afirma Bárbara.

O selênio é um importante mineral que constitui enzimas antioxidantes cuja finalidade é combater a formação de radicais livres. E os resultados da pesquisa indicam que o consumo da castanha-do-brasil pode melhorar a resposta antioxidante e atenuar o declínio cognitivo.

Metodologia

Foram selecionados 20 idosos de ambos os sexos, frequentadores do Ambulatório de Memória do Idoso, do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina (FM) da USP, sendo que 95% deles apresentavam deficiência em selênio. “Esse alto índice era esperado, o solo da região Sudeste é pobre em selênio e a população de São Paulo tem tendência à deficiência de selênio”, conta Bárbara.

Durante seis meses, a nutricionista acompanhou dois grupos de idosos. O primeiro ingeriu uma castanha-do-brasil por dia e o outro não recebeu nenhuma intervenção. Após o período, no grupo que consumiu a castanha diariamente, todos deixaram de apresentar a deficiência de selênio.

Os grupos também passaram por avaliação neuropsicológica antes e depois da intervenção com a castanha-do-brasil. “Os testes analisaram domínios cognitivos, como a fluência verbal, capacidade de copiar desenhos, reconhecimento de figuras, entre outros. E o grupo que ingeriu a castanha apresentou melhora nos aspectos de fluência verbal, avaliada pelo número de animais que o entrevistado consegue mencionar durante um minuto, e praxia construtiva, avaliada pela capacidade do entrevistado em fazer cópia de quatro desenhos apresentados pelo examinador (círculo, losango, retângulos sobrepostos e cubo)”.

Segundo a nutricionista, “apenas uma unidade de castanha-do-brasil forneceu 288,75 microgramas de selênio ao dia, aumentando o consumo de selênio para além da recomendação diária (55 microgramas/dia), mas sem ultrapassar o limite tolerável de 400 microgramas”.

Por Hérika Dias |  Agência USP

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Projeto em 3D do MAE traz Roma antiga de volta à vida

O Laboratório de Arqueologia Romana Provincial (LARP) do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP colocou no ar o projeto Roma 360, um aplicativo que traz o mapa da cidade de Roma, aproximadamente no ano 360 d. C., utilizando a tecnologia 3D. A proposta é ampliar o conhecimento do público em geral sobre essa que é uma das cidades mais importantes da história.

É possível visualizar a localização de templos, monumentos e outras estruturas urbanas | Divulgação

O mapa foi desenhado a partir de modelos do atlas histórico de Willian Shepherd, de 1923. A partir da projeção, é possível visualizar a localização de templos, monumentos e outras estruturas urbanas. É possível ver, por exemplo, áreas de lazer como o Coliseu e o Circo Máximo, ambientes políticos, entre eles o Fórum e a Basílica de Constantino, construções religiosas, e os templos de Vênus e Júpiter. Segundo o idealizador do Roma 360, Alex Martire, a data que dá nome ao projeto foi escolhida “porque quanto mais próximo do fim do Império, mais fácil encontrar vestígios arqueológicos para se basear. Todos os objetos foram baseados naquilo que temos hoje de vestígios”.

O banho, ambiente detalhado à parte, por exemplo, foi construído a partir de vestígios históricos encontrados em livros e na internet, além de diálogos com Alex Almeida, doutorando do grupo e especialista em banhos romanos. Na projeção, é possível navegar pelas diversas termas que constituíam o ambiente. Nas diferentes salas, há pequenos textos explicativos que podem ser visualizados através de cliques em pontos estratégicos. O ambiente pode ser explorado por meio deste link. Para vivenciar a experiência completa, é necessário o uso de óculos anáglifos (com duas lentes de cores diferentes).

A reconstrução da cidade de Roma foi feita a partir de dois softwares, o Autodesk Maya, usado para modelar todos os objetos em 3D, e o Unity, que deu mobilidade ao projeto, rotação, aproximação, através de programação na linguagem Javascript. O próprio programa é capaz de exportá-lo para a linguagem html, resultado que é transferido para o site.

O projeto idealizado por Alex Martire tem ligação com seu doutorado em cyberarqueologia, área que busca usar não só os meios digitais, mas a realidade virtual com a arqueologia. A tese produzirá resultados teóricos, mas também a reconstrução 3D de uma área de mineração no sul de Portugal.

O Roma 360 é um projeto didático, assim como os outros do grupo. A divulgação foi feita por meio do site do LARP, para que todos, inclusive as escolas, possam ter acesso livremente. Não há intenção de transformá-lo em uma maquete. A partir de dezembro, o LARP pretende ampliá-lo para áreas provinciais estudadas pelo grupo de pesquisadores, como Portugal, França e Israel. O objetivo é construir um grande mapa em 3D da área.

Internauta pode visualizar o Coliseu, o Circo Máximo, o Fórum, a Basílica de Constantino, e os templos de Vênus e Júpiter | Divulgação

Outros projetos do Laboratório
O LARP é um laboratório do MAE que pesquisa arqueologia romana, área cujo estudo é inédito no Brasil. O objetivo do grupo, ao final do projeto, é a publicação de um livro sobre a romanização das províncias, abordando principalmente os temas urbanização, religião, práticas funerárias, economia e tecnologia.

Em novembro, em seu primeiro simpósio, o grupo pretende lançar o projeto Domus, a reconstrução 3D de uma casa de família abastada de Roma. Nesse ambiente, será possível interagir, andar, ler textos interativos e manipular objetos. Textos didáticos também serão apresentados para auxiliar no entendimento dos diversos temas presentes, como religião, lamparinas, cerâmica e arquitetura, e contribuindo com professores e pesquisadores.

Alex Martire também desenvolve junto ao grupo um projeto de realidade aumentada que resultará em um aplicativo para o sistema operacional Android. A partir de um símbolo identificado pela câmera de um dispositivo, o programa projeta na tela textos e imagens em 3D previamente relacionadas. A ideia é usar essa ferramenta nas escolas como forma de auxiliar os alunos e professores no estudo da Roma antiga.

O LARP também trabalha com um Sistema de Informações Geográficas (SIG), que permite a análise, dentre outros tópicos, da distribuição de vestígios arqueológicos na paisagem terrestre. Será disponibilizado também na internet, como resultado dessa metodologia, um mapa com informações recolhidas por GPS por vários pesquisadores a fim de compor projeções temáticas de acordo com as pesquisas desenvolvidas pelos membros. www.larp.mae.usp.br

Fernanda Drumond, do USP Online via Agência USP

Cientistas mostram dados divergentes em mudanças climáticas

O laboratório de Biogeoquímica Ambiental, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da USP, em Piracicaba, conta, atualmente, com dois estudos que divergem acentuadamente dos dados padrão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão mundial que estuda as mudanças climáticas globais. 

Os agrônomos Arlete Simões Barneze e Gregori Ferrão, que desenvolvem seus respectivos estudos de mestrado e doutorado orientados pelos professores Carlos Cerri e Brigitte Feigl, trabalham no aprimoramento desses dados analisando as emissões do óxido nitroso (N2O), considerado um dos principais causadores do aquecimento global, pois apresenta capacidade de aquecimento global cerca de 300 vezes superior ao dióxido de carbono (CO2).

Duas pesquisas realizadas no Cena divergem dos dados do IPCC | Marcos Santos / USP Imagens

“Muitas das informações utilizadas pelo IPCC são coletadas e produzidas em regiões de clima temperado. Esse fato produz certa imprecisão em relação à realidade do Brasil, que é um país de clima tropical, em quase sua totalidade”, afirma Carlos Cerri, professor do Cena. No Brasil, a emissão de N2O tem um grande impacto devido principalmente às características da pecuária de corte brasileira.

Assim, o estudo de Arlete foi o de avaliar a emissão do óxido nitroso após o boi urinar no solo, pois a aspersão desse gás para a atmosfera se dá devido à dinâmica do nitrogênio (N) no sistema planta-animal-solo-atmosfera. “Ao pastar, o animal aproveita o nitrogênio contido nas plantas como proteína vegetal e converte em proteína animal para o seu desenvolvimento. Porém, essa conversão não é muito eficiente e quase que 80% dos compostos nitrogenados ingerido são eliminados pela urina”, explica.

Ocorre que, no contexto atual, como o Brasil possui um rebanho superior a 200 milhões de cabeças, 40% das emissões de N2O dos animais em pastagens provem da urina, contra apenas 7% provenientes dos fertilizantes a base de nitrogênio.

E é aqui que a disparidade com os dados do IPCC aparecem, pois, para o IPCC a emissão do óxido nitroso provenientes da urina bovina é 2% do nitrogênio aplicado no solo. “Esses valores não refletem a realidade do nosso país, já que esses números ocorrem em regiões de clima temperado e de diferentes sistemas de produção animal como, por exemplo, o confinado. No Brasil, onde 85% dos animais são criados a pasto, determinamos um valor 10 vezes menor do que o indicado pelo IPCC”, explica Arlete.

Para chegar a esta conclusão, a pesquisadora mediu a quantidade de nitrogênio que entrou no sistema planta-animal-solo-atmosfera e comparou com o que saiu na forma gasosa de óxido nitroso, estimando assim que a emissão que foi de 0,2%, equivalente a 12,5 kg/ano por animal.

Dados subestimados
A pesquisa do doutorando Gregori Ferrão segue na mesma direção ao apontar incoerências nos números do IPCC, que subestima as emissões do óxido nitroso no que dizem respeito aos solos agrícolas, onde a aplicação de fertilizantes nitrogenados, necessários às culturas, é a principal responsável pela formação deste gás.

Internacionalmente, a metodologia mais utilizada e aceita pelos técnicos do Painel sobre Mudanças Climáticas para quantificar os fluxos totais de N2O, em uma determinada área não alagada, baseia-se na alteração dos gases no interior de câmaras instaladas sobre o solo. “Já existem diversos trabalhos que sugerem que as plantas também são agentes desta dinâmica de fluxos entre o solo e a atmosfera. Porém, esse fator não é contabilizado na quase totalidade das pesquisas existentes”, afirma Gregori.

Os resultados da tese do doutorando apontam que, ao negligenciar esta via emissora, pode-se estar subestimando em até 20% do fluxo total de N2O emitido por área de cultivo. “Pelo método que criamos encontramos uma defasagem significativa, salientando o que mostra a importância de aferir e calibrar esses dados”, avalia.

Os resultados encontrados nesta pesquisa se valeram de um estudo comparativo entre as emissões de óxido nitroso provenientes unicamente da transpiração de plantas de milho simultaneamente com os fluxos emitidos pela superfície do solo ao longo de um ciclo de cultivo. “O experimento foi conduzido em nove câmaras de crescimento e coleta que criamos, sendo que seis delas comportaram as plantas de milho e as outras permaneceram sem plantas”, explicou o doutorando.

“O solo contido em vasos foi isolado, estratificando raízes e parte aérea das plantas nos casos em que havia plantas. Já nas três testemunhas, sem plantas, apenas o solo foi isolado como forma de evitar vazamento para o interior das câmaras”, completou.

Em todas as câmaras, o solo foi confinado em vasos e isolado da atmosfera, sendo adubado com fertilizante nitrogenado em doses idênticas às utilizadas em cultivos comerciais. “Os resultados indicaram a influência da adubação nitrogenada não apenas nas emissões de N2O provenientes do solo, mas também a influência da área foliar das plantas em suas emissões”, conclui.

Para a professora Brigitte, perante essas evidências, fica clara a necessidade de promover novos estudos sobre as emissões de N2O no país com o intuito de compreender melhor as condições brasileiras e os processos relacionados as emissões do país. “Esta é uma forma produzir um inventário nacional de GEE, mais consistente e que se traduza exatamente em nossas condições, além de auxiliar na busca das melhores formas de mitigação do óxido nitroso no Brasil”.

O laboratório, que mantém várias pesquisas que avaliam as mais diversas commodities do agronegócio nacional, colaborou com a confecção do primeiro Inventário Brasileiro de Emissões de Efeito Estufa, listando e descrevendo, por exemplo, as emissões de metano pela pecuária, a queima de resíduos agrícolas, entre outros como a cadeia produtiva completa da cana-de-açúcar.

Da Assessoria de Imprensa do Cena via Agência USP

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

USP oferece 10 bolsas de estudos para doutorado em medicina

Inscrições poderão ser feitas até o dia 9 de outubro
A Comissão de Pós-Graduação do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), entidade associada à Universidade de São Paulo (USP), oferece 10 bolsas de estudos no Curso de Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Medicina/Tecnologia e Intervenção em Cardiologia - USP/IDPC para médicos cardiologistas, cirurgiões cardiovasculares, cardiologistas pediátricos, engenheiros, físicos, tecnólogos e matemáticos, exclusivamente para o ingresso em 2010.

As inscrições deverão ser realizadas na sede da Comissão de Pós-Graduação do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, na Av. Dante Pazzanese, 500, 5º andar São Paulo, até o dia 9 de outubro, das 8 horas às 15h30.

O edital do concurso está disponível numa página do site do Instituto. Os interessados em obter mais informações devem ligar para (11) 5085-6274 / 6244 ou acessar o site http://www.dantepazzanese.org.br/siteDante/cpg/edital.htm

Da USP