terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Hipertermia maligna: o risco em uma anestesia

Hipertermia maligna é uma síndrome que se manifesta durante uma anestesia geral. Entre as principais características estão a subida elevação da temperatura corpórea, daí o nome, acompanhada de elevação do gás carbônico expirado, rigidez muscular e aumento da frequência cardíaca.
 
Os sintomas também podem ocorrer no pós-anestésico, o que é mais raro. Segundo o dr. Desiré Carlos Callegari, presidente da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (SAESP), a suspeita de hipertermia maligna ocorre quando a pessoa em anestesia está em ventilação mecânica adequada e ainda assim apresenta aumento de gás carbônico e taquicardia.
 
O quadro clínico é considerado grave, pois há a possibilidade de evolução para um choque irreversível, podendo até mesmo levar à morte (daí o termo maligna) caso não seja diagnosticada e, então, tomadas as devidas providências.
 
Conforme dr. Desiré, pessoas com histórico familiar de hipertermia maligna têm maiores chances de desenvolver o quadro, assim como aquelas que apresentam contração do músculo que movimenta a maxila (na mastigação).
 
"Nestes dois casos, se o paciente realmente necessitar de uma anestesia, a monitoração da temperatura deve ser bastante precisa e o uso das drogas evitado", explica Desiré.
 
Por este motivo, em caso de ocorrência durante uma anestesia, o diagnóstico deverá ser confirmado por meio de biópsia muscular. Em caso positivo, o fato deverá ser comunicado sempre que necessitar de nova anestesia, tanto para este paciente como para seus familiares mais próximos.
 
"Esta informação é fundamental não apenas para formalizar o diagnóstico, mas para prevenir complicações durante cirurgias futuras."
 
A incidência da hipertermia maligna é de cerca de 1 a cada 45 mil a 60 mil procedimentos de anestesia geral, tanto no Brasil como nos demais países, afetando todos os indivíduos, com predominância para as crianças, que chegam a representar um caso para cada 10 mil anestesias.
 
TRATAMENTO
 
O tratamento primordial e mais eficaz é a interrupção imediata do uso de anestésico e a pronta administração de dantrolene sódico intravenoso.
 
Segundo dr. Desiré, a medida reduz imensamente as sequelas metabólicas, além de diminuir o risco de morte de 70% para 10%. "Como terapia adjuvante, recomenda-se também o resfriamento rápido do paciente, inalação de oxigênio a 100% e o controle do excesso de acidez no sangue, das arritmias e da proteção renal".
 
Por ser o principal antídoto para a síndrome, a existência do medicamento tornou-se obrigatória em todos os hospitais públicos e particulares através da lei n° 10.781, regulamentada pelo Governo do Estado de São Paulo em março de 2001.
 
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